Vamos para casa?

Hoje à tarde regresso à Brasília, que depois de quase cinco anos voltará a ser oficialmente casa. Nunca deixou de ser, pois casa é onde esta quem a gente ama, mas será novamente o meu único endereço oficial. Apos mais de quatro anos na França (7 meses em Grenoble e o restante em Paris) e uma aventura de 2 meses na Cabeça do Cachorro, no coração da Amazônia, tudo o que eu quero é viver a vida brasiliense. Patins, bicicleta, corrida ou só passeio mesmo no parque, banho de sol e piscina em baixo de casa, muito Yôga, saladas gigantes na hora do almoço, açaí vindo diretamente do Pará, cineminha no meio da tarde com o meu amor, showzinho de rock ou sinuquinha para animar a noite, e osamigos… ah, os amigos! Ah! Como a secura do planalto me faz falta nessa encharcada Amazônia!

Eu só preciso me lembrar que eu estarei de volta hoje, mas a minha vida social, somente em julho. Até la, a minha única amiga é a minha dissertação de mestrado. Mas é claro que eu mereço um weekend off depois dessa minha aventura toda. Dissertação, te vejo na segunda!

Bom, ao todo, eu fiquei 1 mês na Escola Indígena Baniwa Coripaco Pamaali. Ao mesmo tempo que passou voando para a minha pesquisa, às vezes parecia que os dias duravam anos quando eu estava com saudade das coisas da cidade, tipo um cineminha com ar condicionado e pipoca com manteiga e do banho quente de chuveiro sem piums me comendo. Foi um mês bem atípico na escola por conta da Assembléia realizada dos dias 25 à 27 de maio. A Assembléia é a reunião de todas as comunidades que tem filhos estudando na Pamaali e funciona como uma espécie de conselho que meio que gerencia a escola. Claro que a gestão mesmo está nas mãos da Associação do Conselho da Escola Pamaali (ACEP), mas ela tem que levar em conta as reivindicações da Assembléia.

A minha primeira semana na escola já era a ultima semana de aulas regulares. A segunda foi quando eu dei a Oficina de Comunicação, de terça-feira à sábado. A terceira foi dedicada aos últimos preparativos para a Assembléia. E a quarta já foi a Assembléia itself, realizada de quarta à sexta-feira.

A Laise, assessora pedagógica da escola que trabalha no ISA, chegou na terça-feira desta ultima semana com a ótima noticia de que já tinha esquematizado a minha volta para São Gabriel da Cachoeira no final da Assembléia. Ela conseguiu para mim e para a Milena uma carona no super barco da FUNAI com um motor 90 HP. Nada mal para quem subiu o rio com um motor 20 HP! A minha subida para a escola com o João demorou dois dias e uma parte da manhã do terceiro dia e a descida durou menos de 12 horas, isso porque tivemos um probleminha no caminho que eu contarei para vocês num futuro post.

Essa carona foi logo no sábado bem cedinho de manhã, saímos às 5h30 e a festa do final da Assembléia ainda estava rolando. A gente conseguiu ir dormir umas 2h da manhã para acordar às 4h30 para sair. As 18h já estávamos no porto de São Gabriel da Cachoeira. Foi só o tempo de jogar as minhas coisas na pousada e correndo ir para um salão de beleza fazer aquelas coisas básicas na vida de uma mulher: unhas e depilação! Historia de sentir aquele alivio gostoso de estar toda arrumadinha e de estar prontinha para a chegada do meu amor no enorme aeroporto de São Gabriel da Cachoeira no dia seguinte, no domingo, dia 29 de maio.

O lindo veio me buscar para me levar de volta pra casa, comme d’hab. Ficamos na cidade até sexta-feira, tempo para eu terminar algumas entrevistas para a minha pesquisa, participar de dois programas na radio local e o meu amor viver as emoções de tomar banho no rio (banho mesmo, com shampoo e condicionador, e não apenas ir nadar no rio). Mas a maior emoção mesmo foi a nossa vinda para Manaus de barco. Pense num pau-de-arara fluvial com um monte de redes penduradas! Quando um meche na sua rede, todo mundo meche junto! 48 horas dessa brincadeira! Mas a paisagem super vale a pena, é uma coisa lindíssima! Só fiquei frustrada porque o Encontro das Águas fica abaixo de Manaus e a gente, vindo de cima, de São Gabriel, não passa por ele.

Estamos aqui em Manaus na casa de umas amigas minhas, praticamente família, desde domingo. Conhecemos essa cidade tão cheia de contrastes, a floresta e a poluição, a imundice. Antes de falarem de preservar os lugares mais longínquos da Amazônia, podiam pelo menos instalar uma rede de esgotos na parte urbanizada para preservar as águas. Os igarapés aqui são nojentos de tanto lixo, sujeira, fedor… Um desgosto! Vai ser uma delicia voltar para Brasília e respirar aquele ar quente, mas seco e não fétido!

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Sobre isisvalle

New media journalist, digital inclusion researcher and nutritionist to be.
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3 respostas para Vamos para casa?

  1. Isis disse:

    Bom vinda, de volta, Xará!

    Vamos agendar a piscina na Chretina! hahahahahah

    Beijos!

  2. Edu Élleres disse:

    Só faltou eu chegar junto com você em BSB!
    Te vejo no aeroporto, meu amor! De novo, né… ^^
    bj!

  3. Alejandra A. disse:

    Oi Isis, estive afastada como duas semanas do trab. no IBICT, onde tenho gravado teu blog, então Vc. já está em BsB…? Tomara tenha ido muito bem por essas terras amazonicas…algo li do escrito, ao parecer foi proveitoso. Um dia nos poderiamos juntar para Vc. me contar das suas vivências por lá!!!

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