Cadê o orelhão de Buia-Igarapé?

Na primeira noite da nossa viagem, no sábado dia 30 de maio, dormimos em Buia-Igarapé. Os moradores esperavam ansiosos, mas não pela nossa voadeira. Eles nos contaram que passaram a semana toda aguardando a
equipe que deve vir instalar um orelhão nesta comunidade Baniwa. Pouco depois de nós, chegou um outro barco, mas ainda não era a tal equipe. Espero que ela já tenha chegado a essa altura do campeonato.

Aqui na Cabeça do Cachorro, os orelhões funcionam via satélite e são alimentados por placas solares. Digamos que é praticamente impossível cabear essa região de mata fechada e tantos rios. O funcionamento dos telefones dependem então das condições metrológicas. Ora funcionam, ora não funcionam. E quando quebram é um problema sério, pois fazer manutenção por essas bandas é de um custo altíssimo, os moradores
chegam a ficar meses sem comunicação telefônica. Ainda hoje, a maioria das comunidades não tem esse serviço.

A forma mas comum e eficaz de comunicação das comunidades entre elas mesmas e com a cidade é a radiofonia, implementada na região por uma parceria entre o Distrito Sanitario Especial Indígena (DSEI) e a Federação das Organizações Indígenas do Alto Rio Negro (FOIRN) em 1994. Entre 8h e 9h30, as freqüências são da FOIRN, o resto do dia, do DSEI. As comunidades ficam com o radio ligado normalmente das 7h às
20h, mas o horário livre para elas usarem entre elas é somente das 11h30 às 13h30.

Só que assim como os orelhões, os aparelhos de radiofonia também quebram. Nesse caso, eles tem que ser mandados para São Gabriel da Cachoeira, para serem consertados. “Mandados” leia-se esperar que
alguém desça até a cidade de voadeira (barco de metal) ou de bongo (barco de madeira, mais pesado e por isso mais lento que a voadeira) e leve de carona o rádio. E depois torcer para ele ser reparado mesmo. O
rádio da comunidade Barcelos, quase na fronteira com a Colômbia, está na Foirn desde de 2008.

A comunidade de Barcelos também não tem orelhão, quem dirá internet, então a única forma de comunicação com as pessoas de fora são carinhas, bilhetes e recados levados e trazidos por viajantes. Parece coisa de
antigamente, né? Pois essa forma de comunicação ainda é muito utilizada aqui na região. Eu mesmo já servi de pombo correio e o João também. Espero que vocês não estejam pensando que os Correios entregam
cartas por aqui….

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Sobre Edu Élleres

Guitar teacher turned neuroscientist turned guitarist, passionate and obsessed with finding better ways of teaching music.
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2 respostas para Cadê o orelhão de Buia-Igarapé?

  1. Edu Élleres disse:

    E como eu faço pra mandar correspondência pro dia sete? 😉

  2. Clarice Valle disse:

    Daí que só acompanhando mesmo o blog para ter notícias suas!
    Pelo menos isto!
    Um beijão

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